Dopamina


 Euforia em cada jogada mal pensada e mergulhada em delírio de gente iludida. 

Sem pensar demais nas consequências, numa busca constante por mais daqueles batimentos acelerados.

Nova identidade assumida, com poder nas mãos e no modo como a caça é lentamente atraída, 

ainda que por vezes os lugares fossem trocados. Já dizia o velho ditado: "Um dia é o da caça, o outro do caçador". 

Olhos e sorrisos vaidosos, numa troca de malandragem e malícia. Perde quem cede primeiro.

Entre provocações, truques baratos e fingimentos, o esforço para não cair na velha armadilha do apego. 

Era necessário estarem muito embriagados para admitir qualquer tipo de afeição nesse joguinho barato de atração.

Descobrir tatuagens ou pintas só aumentavam o grau de intimidade, mas jamais o de sentimentalismo. 

Já dizia o poeta "O amor é uma droga que eu me recuso a usar".

Não há partida bem encerrada quando nenhuma das partes sabe perder, logo, fazer inimizade era o mínimo esperado.

E apesar do baixo nível da diversão, sobra ainda a saudade de se sentir vivo, atraído pelo mínimo sinal de interesse, pela investida preguiçosa e o assédio verbal. 

Para alguns, estar presos em um ciclo de ansiedade ainda é melhor do que se sentir morto pela mesmice dos dias.

No fim, ninguém sente falta de ninguém, é só ausência de Dopamina. 

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