A essência pesada

 


É só mais um dia sendo eu, pessimista,  desanimada, cansada, desacreditada e querendo pular pra fora do barco. Talvez eu tenha mais medo de passar pelo processo do que da ideia de me afogar. 

O coração anda pesado, as apostas estão em baixa, viver tem sido uma prova de resistência. E quando não foi? 

Meu precioso silêncio,  para onde se mudou? Minha querida solidão,  eu sinto sua falta às vezes, principalmente nesses dias ruins em que todos os pesos da vida decidem me esmagar, deixando um gosto amargo terrível na boca. Então a expressão facial denuncia que algo não vai bem, mas quando eu tinha você,  solidão,  era mais confortável,  pois não era exigido de mim explicações.  

Tenho poupado meus amigos dos meus dramas, que parecem maiores a cada ano que passa. Essa fase estranha em que tudo é ansiedade, Bournout e  ataque de pânico, mas que não se pode contar verdadeiramente com ninguém,  porque todos estão passando pelo mesmo campo de batalha e nossas lutas são pessoais demais para serem divididas. 

Será que a essa altura é normal ficar questionando se tudo que eu faço realmente faz sentido? Será que tudo precisa ir pra balança? O relógio não para, mas eu já cansei de correr pra dar conta, pra ser pontual e provar eficiência. 

Meio cansada de pedir permissão para existir nesse mundo maluco de pessoas moralmente questionáveis. Não que eu seja exemplo de alguma coisa também.  

Eu só queria ir cedo pra cama sem a culpa de não ter estudado e cumprido a meta de hoje,  sem a preocupação de comparecer àquele curso de formação obrigatório ou de ter que rever velhos colegas de escola que ao fim do Ensino Médio só me deram o alívio de não ter mais que conviver com eles. O destino é uma porcaria, às vezes. Qual a necessidade de viver esses dias amargos de novo? 

Ah... eu tô tão cansada de mim mesma. Era só ser tão desequilibrada e desagradável como a maioria,  mas não,  tenho que ficar presa nessa síndrome de boazinha. 

Aaah... 

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