Paciência

Faltou-me forças quando fui testada na minha fraqueza e não fui aprovada; quando precisei usar de sabedoria nas minhas palavras, mas deixei minhas indignações falarem mais alto; quando tentei ser presente, mas só me vi como uma hipócrita. 

Falta em mim a força necessária para querer estar nessa vida, para abrir a boca e me posicionar, para bater no peito e me manter erguida, para ser uma pessoa decente. De todo, não farei somente acusações contra os meus defeitos, porque é realmente muito difícil se manter são em um meio social que leva a minha paciência ao limite todos os dias. Estou por um fio de enlouquecer com cada palpite, exagero, opinião, decisão que tomam por mim, pelo espaço invadido, pelos planos que não fiz, mas que me obrigam a seguir junto, e no fim eu só percebo que estou virando o resultado de todas as faltas de respeito às quais sou exposta. 

Amor está virando aversão, compreensão está virando tolerância, vínculo já se transformou em algemas há muito tempo. E quando coloco todos os prós e contras na mesa, não me refiro apenas a um parceiro, mas sim à todo o conjunto familiar. 

A falta de noção me estressa, acordar com gritaria, a demora no banheiro, a visita que não foi convidada, os parentes folgados, a mania de mandar em mim, a necessidade de se viver colada a todo mundo, a falta de espaço pra existir. Que bom seria poder sumir! 

Que bom seria poder apenas sumir sem ter que me explicar, sem deixar o endereço, sem um telefone. Ah, se a vida pudesse ser simples como deletar uma rede social. 



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