Entre tantas crônicas


Tenho lido bastante livros de crônicas, reflexões e visões poéticas de como se deve viver. Há um tempo atrás, eu provavelmente pularia esses livros por achar chatos demais. É como as histórias dos nossos avós, quando adolescentes, só não queremos escutar mais as mesmas repetições, porém quando adultos, começamos a pensar nas lições passadas e até nos auto chantageamos com o pensamento: "talvez essa seja a última vez ouvindo essas histórias sendo contadas por eles". 

Tenho percebido, nessa atual fase da minha vida, que viver não é fácil como me fizeram acreditar que seria. Não se trata mais de terminar a escola, entrar na faculdade, conseguir um bom trabalho e formar uma família. Essa receita de bolo não é mais tão certeira como costumava ser há uns anos atrás. 

Percebo que a vida é uma sequência de ações, reações e reviravoltas. Eu terminei a escola, a faculdade e consegui um bom emprego. Eu tenho alguém para compartilhar uma vida. Entretanto, o pensamento de que preciso mudar de profissão começou a me assolar, a necessidade de crescer, conquistar e usufruir ficou mais intensa. E nem vou começar a falar das infinitas dúvidas sobre estar com alguém pelo resto da vida, sobre ser parte de outra família, sobre me encaixar entre os amigos que não são meus, sobre começar a questionar minhas pequenas metas, vendo que nesse novo círculo, os planos são bem maiores. A comparação vem, sem que eu tenha o poder de pará-la. Seguir para o próximo passo ficou difícil, porque começo a me questionar sobre qual próximo passo devo dar. 

Chega-se a um ponto que começo a lutar entre minhas vontades e vaidades. Eu nunca quis ser milionária, nem ser a mais elegante, nunca quis estar em lugares que não me cabem, mas chamam isso de "zona de conforto". Eu olho para o lado, para essa pessoa que segura a minha mão e me questiono de novo "será que estou a altura? Será que estou atrasando os planos dele?". 

É difícil pensar em um futuro que não é só meu. É difícil admitir que as dificuldades que sempre tive, ainda estão por aqui, ainda que mais contidas e controladas, elas continuam aqui. Machuca essa faceta em que devo me adequar para estar à altura. Então, ao mesmo tempo, me questiono: "à altura de quê?". Será que existe um ponto de satisfação que seja um consenso entre todos? 

E então, novamente, volto os meus olhos para os textos da Fabíola Simões e a vejo falar incansavelmente que o importante não é como os outros me vêem, mas como eu me vejo e se estou feliz com essa versão que construí de mim, mas é nesse ponto que me despedaço, pois não estou me adequando e também não estou feliz com a pessoa que construí até agora. 


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