Entre tantas crônicas
Tenho percebido, nessa atual fase da minha vida, que viver não é fácil como me fizeram acreditar que seria. Não se trata mais de terminar a escola, entrar na faculdade, conseguir um bom trabalho e formar uma família. Essa receita de bolo não é mais tão certeira como costumava ser há uns anos atrás.
Percebo que a vida é uma sequência de ações, reações e reviravoltas. Eu terminei a escola, a faculdade e consegui um bom emprego. Eu tenho alguém para compartilhar uma vida. Entretanto, o pensamento de que preciso mudar de profissão começou a me assolar, a necessidade de crescer, conquistar e usufruir ficou mais intensa. E nem vou começar a falar das infinitas dúvidas sobre estar com alguém pelo resto da vida, sobre ser parte de outra família, sobre me encaixar entre os amigos que não são meus, sobre começar a questionar minhas pequenas metas, vendo que nesse novo círculo, os planos são bem maiores. A comparação vem, sem que eu tenha o poder de pará-la. Seguir para o próximo passo ficou difícil, porque começo a me questionar sobre qual próximo passo devo dar.
Chega-se a um ponto que começo a lutar entre minhas vontades e vaidades. Eu nunca quis ser milionária, nem ser a mais elegante, nunca quis estar em lugares que não me cabem, mas chamam isso de "zona de conforto". Eu olho para o lado, para essa pessoa que segura a minha mão e me questiono de novo "será que estou a altura? Será que estou atrasando os planos dele?".
É difícil pensar em um futuro que não é só meu. É difícil admitir que as dificuldades que sempre tive, ainda estão por aqui, ainda que mais contidas e controladas, elas continuam aqui. Machuca essa faceta em que devo me adequar para estar à altura. Então, ao mesmo tempo, me questiono: "à altura de quê?". Será que existe um ponto de satisfação que seja um consenso entre todos?
E então, novamente, volto os meus olhos para os textos da Fabíola Simões e a vejo falar incansavelmente que o importante não é como os outros me vêem, mas como eu me vejo e se estou feliz com essa versão que construí de mim, mas é nesse ponto que me despedaço, pois não estou me adequando e também não estou feliz com a pessoa que construí até agora.


Comentários
Postar um comentário