É sufocante...
passar a vida tentando acertar, agradar, ser útil, ser eficiente. E em meio a esse desespero de tentar se encaixar, ir descartando as próprias loucuras, os traços únicos, as opiniões divergentes, substituindo as singularidades por pacotes de normalidade.
É doloroso se sentir torto, quebrado, fora de lugar... Ter sempre aquele sentimento de que estão te olhando de um jeito diferente, incômodo, de um jeito que transparece o julgamento.
Acho que nunca tive tempo de parar, olhar com atenção para mim mesma, encarar os defeitos reais, não aqueles que são impostos pelos outros. Hoje em dia, acredito que pessoas silenciosas são muito mais agradáveis do que as narcisistas que necessitam ser ouvidas a todo custo.
Creio que essa forma minúscula a qual me adaptei tem comprimido o meu coração, feito meu sangue jorrar de tal forma que começo a crer que não tenho mais como estancar. Não tem nada de verdadeiramente belo em mim, nem por dentro e menos ainda por fora.
Ah, se me fosse dado o privilégio de me esconder dessa existência, desse sentir, dessa prisão mental...
Ah... se eu ao menos soubesse como me curar...
Não consigo explicar essa dor persistente que desatinou a doer, que não cessa em pulsar com intensidade, fazendo a minha alma gemer em sofrimento.
Estou cansada demais para listar todas as vozes ativas entoando ordens. Necessito de um momento para respirar e mais do que tudo, sinto falta de um respeito que nunca tive e que provavelmente nunca terei. Sou apenas uma tola acatando ordens e vontades alheias enquanto me diminuo, enquanto me anulo em benefício dos outros.
É normal me cansar de ser forte pelos outros e viver jogando a toalha quando a briga é por mim mesma. É normal... todavia, sou covarde demais para fazer algo em benefício próprio.
Eu não quero desistir, mas também não quero brigar por nada. Essa vida é exaustiva, assim como todos ao redor. Pra quê tanta expectativa em alguém que só está lutando para sobreviver a mais um dia?
Sufocante...
Exaustivo.


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