Ir embora
Nunca fui do tipo de pessoa que enxerga a vida com olhos de positividade, pelo menos, não o faço quando o assunto é pessoal. Ainda que eu consiga incentivar, apoiar e ter sempre um conselho ou uma motivação guardada para oferecer aos outros, é simplesmente muito difícil ser benevolente comigo mesma.
A auto cobrança é intensa, sufocante, chegando a ser tortuosa. Eu não sei errar, não aceito errar. A condenação está sempre acompanhada de uma crítica. A necessidade de agradar e fazer bem o meu papel é o que sustenta o meu emocional totalmente disfuncional. E mesmo ciente de todas as coisas que me impulsionam para baixo, eu ainda não consigo erguer o dedo e manifestar a minha necessidade de ser ajudada.
Nesse momento eu só desejo ir embora, mas...embora de mim. Pareço presa a essa gaiola feia, a esse caráter duvidoso, a essa personalidade fraca e digna de zombaria. Essa exposição que tanto tento compensar com trabalho duro, está matando a minha alma, a minha vontade de levantar da cama e de me encarar mais uma vez tal como eu sou.
Eu quero ir embora de mim, das minhas falhas, julgamentos e falta de bom senso. Eu só preciso ir embora de mim. Não acho que as poucas qualidades estejam sendo suficientes para compensar esse desgosto enraizado de mim mesma.
Dói em uma intensidade absurda... Dói sem motivo, dói por não ser suficiente. Eu não quero contar mais mentiras de auto ajuda, isso não tem me ajudado em nada. A real vontade é de superar essa versão fraca e incompetente. E não importa se pra chegar lá, parte dessa abundante porção de emoções for perdida. Emoções só me levam a paranóias e ações ridículas.
Eu quero ir embora...
Daqui,
De casa,
De mim.
Que uma nova pessoa, digna e confiável consiga sair desse monte de cinzas que tenho me tornado.


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