Brilhante

É tão bom quando aquele sentimento de que algo se tornou inalcançável finalmente vai embora. O brilho está ali naquele pequeno espaço, como uma janelinha que posso abrir sempre que eu sentir saudades do brilho do sol. 

Nem todos os dias são claros, às vezes a noite perdura, fazendo com que eu me lembre de que já tomei muitos banhos nessa chuva escura. 

Pouco a pouco a necessidade de ser exposta a esse calor está sumindo, permitindo que a minha liberdade seja acessada, dando-me o poder de escolha sobre o caminho que quero traçar. 

Demorou muito pra eu perceber que posso e devo andar sozinha, sentir sozinha, ser sozinha. Há um quê de beleza na solitude, é essa ideia de ser livre para lutar, para sorrir, para vencer e até para se entristecer sem ser necessário ter uma explicação pronta para o outro. 

Eu sei que logo terei que abandonar o costume de vigiar essa janela, e que inevitavelmente, haverá dias que sentirei falta dos raios de sol, mas finalmente posso ver um caminho que não irá me ferir, que não irá me cativar ou deixar nessa gangorra de sentimentos. 

São os capítulos finais dessa felicidade finda. No coração eu trago a mesma ternura, meiguice e carinho, além dessa gratidão transbordante. Não são só migalhas e ainda não é o suficiente, mas é bom o bastante para que eu entenda que cada um oferece aquilo que recebe, ou que julga ser o bastante. Quem sou eu para exigir mais? Vou aprender durante a caminhada a medida certa para o amor, mas hoje ...

Hoje eu comemoro as certezas, as chances e a visão livre de correntes que tenho de mim. 

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