Birds

 Esse é aquele estágio de questionamentos sobre o que está certo, o que precisa ser melhorado e o que tem me mantido refém. Nos últimos dois anos a minha vida se transformou em uma montanha russa sem freio, na qual eu perdi o controle de tudo, principalmente da minha capacidade de discernir o que é bom para mim.

A verdade é que eu ainda não sei de boa parte das respostas para essas perguntas, mas estou me esforçando para não deixar que a parte sólida acabe sendo lançada ao chão para se quebrar em milhões de pedaços. 

Como é terrível ter um coração que não sabe o que quer, e mais ainda, ser alguém incapaz de se colocar em primeiro lugar. 

Tenho dedicado muitos anos à mesma história, mas cheguei ao ponto da estagnação. É um capítulo que se divide entre monotonia e desentendimentos. Como eu queria ter o poder de reprogramar sentimentos ou escolhas. Talvez, se eu conseguisse ser mais honesta, não estaria vivendo essa relação de inseguranças e medos. Chegamos a esse ponto de sermos leais ao que passou, e assim não vemos que a resposta está em achar empolgação para escrever o que ainda está por vir. 

Costumamos nos distrair e procrastinar quando as coisas não acontecem como a gente quer, e foi em um desses momentos de distração que me permiti escrever poemas e crônicas desconexas. É tão mais confortável viver em histórias fantasiosas que funcionam como afago para as nossas angústias, porém há que se ter cuidado com as ilusões que construímos ao vivê-las. Acredito que perdi muito tempo em um conto fantasioso que estava fadado a um final infeliz desde o início. Culpo as malditas borboletas por isso! Entretanto, estou cansada de fechar esse livro e ficar encarando a capa. 

Nunca fui o tipo de pessoa que abandona pessoas, a menos que elas pisoteiem os meus princípios, fora isso, sempre me predispus a ficar e deixar que os outros partissem, mas acredito que chegou a minha hora de fazer as malas. 

Eu quero tanto me convencer de que as escolhas que fiz são as melhores para mim, mas algo aqui dentro continua gritando que ainda não está certo, que não é sobre chegar ao final desse caminho. Também tenho pensado que mentiras construídas a partir de contos de fadas malfadados nem de longe podem ser o caminho alternativo. 

Se eu disser que não estou com medo de tentar um recomeço, claramente estaria mentindo. Eu tenho pavor à mudanças, mas ultimamente, o que mais tem me assustado é essa possibilidade de estar presa em uma coletânea que não tem mais conteúdo para ser expressado. É como uma gaiola que prende dois pássaros de espécies diferentes, e eu sei o quanto o meu colega de sela anseia pelo voo, afinal, a gaiola é uma novidade para ele, mas nunca foi para mim. 

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